quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Repasse da Verba Da lei Municipal de Incentivo a Cultura de Ipatinga 2011

Classe artística cobra repasse de verba atrasada
Um grupo de 30 pessoas se reuniu com o prefeito Robson Gomes, que assegurou o repasse integral da verba para o dia 15 de setembro








Na manhã desta quarta-feira (10), cerca de 30 representantes de grupos da classe artística de Ipatinga se reuniram com o prefeito Robson Gomes (PPS) para cobrar explicações sobre o atraso de 60 dias no repasse de verba aos 39 projetos aprovados em junho, pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. O encontro estava marcado para as 10h da manhã, mas teve início somente no início da tarde, às 13h, por conta do atraso do prefeito.

O repasse da verba, que soma quase R$ 800 mil, deveria ter sido efetuado em junho. “A justificativa que recebemos é a de que o Grupo de Trabalho Executivo barrou o repasse do dinheiro, pois essa não seria a prioridade da Prefeitura”, contou Wenderson Godoy, presidente da Comissão Municipal de Cultura. “Outro motivo seria a falta de recursos para este ano. Mas como um município que possui a 6ª maior arrecadação do Estado não tem recurso?”, questionou.

De acordo com Godoy, cerca de 300 pessoas estão envolvidas com os projetos aprovados. “A cultura precisa ser valorizada, afinal, um homem sem cultura é alguém que não consegue exercer a sua cidadania. Todas as pessoas envolvidas em arte trabalharam muito para realizar seus projetos, mas infelizmente vão ter que executar o trabalho em um curto período de tempo”, disse o presidente da comissão. “Se a cultura não é prioridade, eu não sei o que é importante para a administração, levando em conta à extensa greve dos professores e a situação da saúde”, criticou.

Acordo
Durante a reunião, que durou cerca de 1 hora e meia, ficou acordado que o repasse da verba será feito para todos os projetos em uma parcela única, a ser efetuada no dia 15 de setembro. “Essa não é a melhor situação, já que o dinheiro deveria ter sido repassado há dois meses, mas é o que podíamos conseguir agora”, disse Godoy. “A reunião foi um pouco tumultuada porque todos estavam cansados e estressados pelo atraso do prefeito, mas felizmente houve um acordo favorável”.

Embora a classe artística tenha recebido uma resposta e garantido a data para o repasse da verba, essa é uma situação que preocupa. “O atraso já aconteceu em anos anteriores, e a perspectiva de que isso possa voltar a ocorrer no próximo ano nos desanima. Temos muito trabalho em elaborar um projeto e buscar patrocínios, e a quase certeza de que a verba municipal virá com atraso desanima qualquer um”, disse Godoy, afirmando que cerca de 90% dos artistas do município sobrevivem graças ao apoio de grandes empresas. “É humilhante ter que ficar circulando pela prefeitura em busca de respostas. A verba é um direito e foi conquistada de forma legal, depois de muito trabalho”, declarou.

Atraso na execução dos projetos
Com a demora para o repasse da verba, os artistas têm menos tempo para colocar os projetos em prática. “Muitos projetos são preparados para serem realizados em seis meses ou mais, como o meu. Mas com os atrasos, nós só temos três meses para por o projeto em ação, e isso nos prejudica bastante”, explicou o fotógrafo Nilmar Lage, autor do projeto “Minuto, que consiste na criação de vídeos de até um minuto de duração feitos a partir de fotografias da cidade. “A expectativa era de fazer um projeto extenso, para trabalhar muito bem cada etapa do processo, mas com esse atraso tudo terá que ser feito em apenas três meses”, lamentou. Das 15 vagas disponíveis para a oficina, 5 são reservadas para alunos da rede pública de ensino.

Quem também está passando por esse problema é a produtora cultural Claudina Abrantes, idealizadora do “Bumba Boi Raiz do Vale”, projeto que trabalha com crianças com defasagem de aprendizado. “Nós reunimos 25 crianças e adolescentes e oferecemos cursos sobre cultural popular, com ênfase no Bumba meu Boi. Montamos o show e nos apresentamos nas escolas públicas do município, mas infelizmente, devido aos constantes atrasos no repasse da verba municipal, não foi possível percorrer todas as instituições em 2010, e agora estamos correndo o risco de passar pelo mesmo problema neste ano”, afirmou Claudina.

“O projeto do último ano deveria ter sido realizado de agosto a dezembro, mas devido a demora no repasse do dinheiro, nós perdemos dois meses de ensaio e fomos obrigados a diminuir o número de apresentações”, disse a produtora, que trabalha há 15 anos no meio cultural.

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